A Arquitetura do ABANDONO

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Nas redes sociais onde o compartilhamento de imagens é o principal objetivo (Instagram, Pinterest, Tumblr, Flickr e outros), é cada vez mais comum encontrar imagens de construções abandonadas. Há até comunidades e perfis dedicados somente a esse tema e com muitos seguidores.


Esse fascínio que muitas pessoas têm por prédios abandonados não é coisa recente mas torna-se evidenciado e ganha novas proporções com o compartilhamento dessas imagens na rede, ganhando até mesmo o status de arte.



Seja nos grandes centros ou em pequenas cidades, as construções abandonadas, danificadas pela ação do tempo e muitas vezes em processo de “absorção” pela natureza, despertam nossa curiosidade e imaginação, exercendo um certo fascínio ou até mesmo o medo em algumas pessoas.
Nas metrópoles, onde o crescimento acelerado muitas vezes leva à descartabilidade inclusive da arquitetura, o convívio com esse abandono é quase tão natural quanto em relação ao novo. Mas não temos ainda a cultura da recuperação e da preservação.


Olhar essas construções abandonadas, seja com o glamour de uma foto editada na internet ou de forma crua na realidade das ruas, sempre me faz pensar no papel da arquitetura dentro do contexto histórico e social. Existe uma verdade na arquitetura ou seria ela apenas um instrumento representativo de um determinado momento?


As construções têm um tempo de vida cada vez maior em relação aos seus propósitos. Isso é fato. Mas a realidade, principalmente nas grandes cidades, justifica cada vez menos a possibilidade do abandono. Há uma carência imensa de espaço para tudo, de escolas e hospitais a centros culturais e espaços de lazer.
E há milhares de pessoas sem teto. 



Fotos: Pinterest


 



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